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AS RAZÕES DE MERCADANTE
Por Álvaro Pereira

(23/08/2009 - 19:30)

As idas e vindas do líder do PT no Senado, Aluizio Mercadante, refletem as contradições de um partido que, na oposição, se pautou pela defesa da ética na política e na administração pública, mas que no poder se vê obrigado a assumir postura mais pragmática. A posição que prevalece hoje entre os líderes do PT é, necessariamente, a posição defendida pelo presidente Lula. O que Lula pensa o PT também acaba por pensar, até por falta de alternativa.
 
Com altos índices de popularidade, ao final de dois mandatos, o presidente da República traduz o que pode existir de melhor para o PT. Ao mesmo tempo em que se confunde com a história do partido, Lula se coloca em outro plano. Ele se tornou um mito, e um mito não se enquadra no estreito espaço político de um partido, porque acaba por conquistar o respeito e a admiração da maioria das pessoas.
 
Essa realidade explica o drama vivido por Mercadante como líder do PT. Pressionado a se juntar ao PMDB para defender o presidente do Senado, José Sarney, em meio às acusações que pesavam contra ele, o senador por São Paulo resistiu enquanto pôde. Evitou intimidades com peemedebistas estigmatizados, como o senador Renan Calheiros, enquanto discutia com senadores da oposição uma alternativa para crise que afeta o Senado. Por último, quando coube à bancada do PT salvar José Sarney da degola no Comitê de Ética, Mercadante se viu desautorizado por uma nota da direção nacional do partido, que recomendava o arquivamento das investigações.
 
Enfraquecido em termos políticos, cobrado por familiares e preocupado com a repercussão de seu gesto na opinião pública e entre os eleitores paulistas, o senador anunciou a decisão de deixar a liderança do PT. Um gesto de coerência com o que ele sempre defendeu e uma satisfação aos eleitores que confiaram nele, em 2002, mas que poderão rever o voto em 2010. A história teria terminado assim, com essa versão divulgada pelo próprio senador na internet, não fosse a intervenção surpreendente e decisiva do presidente Lula.
 
Um jantar na Granja do Riacho Fundo teria o poder de mudar tudo. Depois de cinco horas de uma conversa amena, mas grave, o presidente convenceu o líder a permanecer na função. O que teriam conversado? Com seu carisma e poder de convencimento, o presidente deve ter se lembrado das lutas passadas no PT, quando ambos militavam na oposição. Ao mesmo tempo, deve ter alertado o líder para a importância de uma aliança com o PMDB nas eleições do próximo ano, quando – salvo imprevistos – pretende lançar Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão.
 
Por último, com argumentos sólidos, o presidente Lula deve ter alertado Mercadante sobre os riscos políticos que ele correria, se deixasse a liderança do PT e ainda entrasse em confronto com a cúpula do partido em São Paulo. Neste caso, a própria reeleição para o Senado – tão desejada por ele – poderia ficar comprometida. 


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